O IPCN ressalta que é importante dar ênfase às vítimas de racismo e não aos racistas, haja visto que os crimes de ódio racial no Brasil dispararam, agora em meio às eleições parecem ganhar cada vez mais destaque nos noticiários e redes sociais.

Segundo os últimos estudos divulgados esse ano, encontramos dados que apontam que quase 70% dos processos por crimes de racismo são vencidos. Os crimes raciais aumentaram quase 80% em um ano na comparação de dados de 2020 e 2021.
O estado de São Paulo já ultrapassou 2021, no número de casos de racismo esse ano.
Em Goiás, o crime de racismo cresceu quase 80%.

Negras e negros são a maioria das vítimas de crimes violentos no país, entre as mortes violentas intencionais, categoria que reúne homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes, somos a maioria, esses são dados do 16° Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Os dados atuais da segurança pública mostram urgência para debate sobre o combate ao racismo estrutural no Brasil. Em 2020, o número de casos de injúria racial registrados no Brasil foi de 10.291. As informações no estudo já aponta que há uma subnotificação dos registros criminais e muitas controvérsias das leis aplicadas sobre discriminação e injúria racial.

Na contramão desse genocídio, estamos cada vez municiados de informações, ou pelo menos é o que o Google aponta sobre a busca pelo termo ‘racismo estrutural’ que cresceu 1.400% nos últimos anos. O aumento dessa busca pode significar que a discussão sobre o racismo está deixando de ser um tabu no Brasil e está mobilizando a sociedade para o escurecimento dessa causa, ou pelo menos é o que se espera que esteja ocorrendo.

Porém, mesmo com todo acesso à informação, o aumento das buscas por mais conhecimento sobre essas novas leis de combate racial, os crimes de ódio, como um todo, teve um crescimento assustador de até 650% no primeiro semestre de 2022. Os indicadores da Central Nacional de Denúncias da Safernet.

Em números absolutos, o crime mais denunciado foi o de misoginia, com 7096 casos. Certamente uma maioria de mulheres negras, sofrem diariamente com o machismo na sociedade brasileira. O levantamento realizado pela Safernet foi divulgado em abril deste ano.

Já no Atlas da Violência, os assassinatos de negros também seguem em crescimento vertiginoso cresceram 11,5% em 10 anos, no estudo divulgado em 2020. Em 2019, os negros representaram 77% das vítimas de homicídios no Brasil, com uma taxa de 29,2 por 100 mil habitantes. Entre os não negros, a taxa foi de 11,2 para cada 100 mil, o que significa que o risco de um negro ser assassinado é 2,6 vezes superior ao de uma pessoa não negra.

O Instituto de Pesquisas das Culturas Negras tem como objetivo se debruçar sobre os meios mais eficientes de combater o racismo estrutural, eliminar e libertar de uma vez por todas as gerações atuais e futuras do nosso povo preto da linha de front desse genocídio. O elemento central para se compreender a violência letal no Brasil é se atentar à desigualdade racial. Se alguém ainda tem alguma dúvida sobre o racismo basta olhar para esses números. E tudo isso acontece num país, onde mais de 56% da população é negra, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Então nós do IPCN não daremos visibilidade aos racistas. Buscamos com esse conteúdo ressaltar o quão poderosa é nossa nação afro-brasileira, quantas realizações, quantas conquistas, quantos talentos e competências temos para difundir, enaltecer e celebrar.

Reunir forças para juntos erguemos todas a vítimas do racismo, valorizando suas grandezas e ancestralidades, todos nós, pretas e pretos, precisamos saber nossa herança, nosso legado, e isso só poderá ser feito com uma intenção direta:

É vida longa e muitas conquistas para o Humorista Eddy Jr., para o ator e cantor Seu Jorge e para todas negras e todos os negros desse país. Queremos demonstrar que nesse momento que o IPCN não pode dissociar esses ataques crescentes do atual momento político que o Brasil vem enfrentando, todos esses danos causados por um Estado de Ódio, de Permissividade e Violações de Direitos. Como podemos então transformar esse Brasil do crescimento do racismo, da impunidade, do fortalecimento de atitudes racistas presentes na mídia?

Valorizar as vítimas e suas conquistas, com certeza é um meio de nos fortalecer enquanto povo e não dá audiência para atitudes racistas. Eles não passarão.

ASCOM IPCN
Colaboração: Dra Margareth Ferreira @margarethferreiras, Dra Fatima Moura @fatimamouraludwig, Fabio Nascimento @fabbionascimentto